Benefícios dos probióticos na criação de bovinos

Entenda neste artigo o que são probióticos e descubra o por quê você deve usa-los na criação de bovinos.

O que são probióticos?

Probióticos são aditivos usados para melhorar o desempenho dos animais. Representam uma alternativa considerada mais “natural” ao uso dos antibióticos.

O interesse pelo uso de probióticos vem crescendo bastante, em grande parte por causa da pressão pela redução do uso de antibióticos nos sistemas de produção—pressão exercida especialmente pela Europa. Sendo uma alternativa considerada mais “natural”, os probióticos têm um apelo significativo no estímulo ao seu uso tanto em fazendas leiteiras quanto na produção de bovinos de corte.

São muitas as opções disponíveis no mercado, com modos de ação bastante diversificados e é por isso que é fundamental entender um pouco mais sobre os probióticos.

Ainda há muito o que estudar sobre esta classe de produtos, mas o que já sabemos é que eles promovem um melhor desempenho e eficiência nas fazendas. Se a substituição dos antibióticos pelos probióticos já vinha crescendo, com os constantes estudos feitos na área, é gerado um potencial ainda maior de expansão deste segmento de mercado.

De forma sucinta e direta, podemos definir probióticos como microorganismos vivos que, ingeridos por um animal, podem melhorar o equilíbrio da microflora intestinal.

Recentemente, pesquisadores europeus propuseram a seguinte definição, mais abrangente e explicativa: “probióticos são culturas isoladas ou mistas de microorganismos vivos que, quando administrados a um animal ou humano, geram benefícios através da melhora das propriedades da microflora nativa”.

Repare que esta nova definição não se limita apenas à microflora intestinal, o que demonstra que há mais benefícios do que inicialmente imaginamos no uso dos probióticos.

Segundo o MAPA, no Brasil os probióticos se enquadram como aditivos zootécnicos equilibradores da microbiota do trato digestório e são definidos como cepas de microorganismos vivos (viáveis), que agem como auxiliares na recomposição da microbiota do trato digestivo dos animais, diminuindo o número dos microorganismos patogênicos ou indesejáveis.

Isso se dá por uma questão de exclusão competitiva, ou seja, os microorganismos benéficos se proliferam e restringem o desenvolvimento dos microorganismos maléficos.

Desde quando usamos probióticos?

Nós, humanos, consumimos probióticos há centenas de anos com a finalidade de promover melhora na saúde. Um exemplo simples de probiótico largamente utilizado por nós é o iogurte (os produtos lácteos fermentados também são probióticos), rico em microorganismos que auxiliam a digestão.

Já para os ruminantes, os principais aditivos probióticos comerciais incluem bactérias do gênero Lactobacilli, como o Lactobacillusacidophilus e várias espécies de Bifidobacterium, Enterococcus e Bacillus; são usadas ainda leveduras como a Saccharomycescerevisiae e Boulardii.

Benefícios da utilização dos probióticos na criação de bovinos

São muitos os benefícios agregados pelo uso dos probióticos. Dentre eles, destacam-se na literatura especializada:

  • Redução de diarréia em bezerros;
  • Aumento do ganho de peso nos animais em crescimento e terminação;
  • Prevenção da acidose ruminal;
  • Melhora da degradação de fibra no rúmen;
  • Aumento na produção de leite e sólidos do leite.

O probiótico funciona mesmo?

É preciso muito cuidado e critério ao avaliar resultados de pesquisas com probióticos, pois os estudos são ainda muito inconsistentes. Por enquanto sabemos que os efeitos benéficos mais significativos dos probióticos são observados em animais submetidos a algum grau de estresse, como é o caso de bezerros na fase inicial de vida ou vacas leiteiras no período de transição.

Os primeiros dias de vida e o período do desaleitamento são épocas críticas para os bezerros, nas quais há muitas evidências dos benefícios dos probióticos bacterianos.

Os recém-nascidos apresentam elevado grau de estresse pela sua nova condição e novo ambiente, o que pode alterar bastante o perfil da microflora do trato digestório. De modo geral os bezerros costumam colonizar seu rumem com bactérias deixadas pela mãe na forma de saliva no pasto ou de saliva em suas mucosas.

Normalmente, bezerros com diarreia apresentam menor população de lactobacilos nos intestinos, de forma que a ingestão de probióticos que contenham esse tipo de bactérias, pode ajudar bastante a reduzir a incidência de diarreia, a principal causa de mortalidade precoce de bezerros nas fazendas leiteiras.

O período do desaleitamento também é complicado para os bezerros, pois sua dieta muda significativamente. Nessa situação, o papel dos probióticos bacterianos seria colonizar o intestino dos animais com microorganismos conhecidamente benéficos que vão prevenir a proliferação de possíveis agentes patológicos

Além do efeito nos intestinos, os probióticos também podem atuar no rúmen, onde a flora microbiana é bastante diferente. Esses aditivos podem ser especialmente eficazes para situações em que haja alterações significativas nessa população de microorganismos, como é o caso de vacas no período de transição, que passam por grandes mudanças na composição da dieta.

Com o aumento no consumo de concentrados no início da lactação há uma clara tendência à redução nos valores do pH ruminal, uma vez que esses alimentos são ricos em carboidratos não fibrosos, rapidamente degradáveis no rúmen, o que gera grandes quantidades de ácido. A diminuição do pH é danosa para os microorganismos que degradam as fibras.

Alguns estudos mostram que esses aditivos têm grande capacidade de estabilizar o pH do rúmen, mas há também as pesquisas que não conseguiram mostrar o mesmo resultado. Muitos são os estudos em andamento, em que se testam desde produtos contendo espécies de bactérias que removem o ácido lático do rúmen, até outros com linhagens de microorganismos que degradam amido sem produzir o ácido lático (o grande vilão causador da acidose aguda). Os resultados parecem animadores, mas ainda não podem ser considerados conclusivos.

Uma outra questão a ser analisada com bastante cuidado é a viabilidade econômica dos probióticos, ponto fundamental para a disseminação de seu uso e desenvolvimento de novas pesquisas.

Fonte:

  • ACF de Lima, JM Pizauro, M Macari, EB Malheiros – R. Bras. Zootec, 2003 – sidalc.net
  • WM Ferreira, LD Menezes, AM Rios – Arq. bras. med. vet. zootec, 1995 – bases.bireme.br
  • RL Furlan, M Macari, BC Luquetti – SIMPÓSIO TÉCNICO DE 2004 – cnpsa.embrapa.br
Resumo do Artigo
Título do Artigo
Benefícios dos probióticos na criação de bovinos
Autor
Empresa
AB Araujo

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Sobre AB Araujo

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